Bellini e o Demônio, foi o meu primeiro longa como diretor de fotografia. Agradeço a oportunidade ao Marcelo Galvão e ao Produtor Marçal de Souza (Brincando nos campos do senhor, Beijo da Mulher Aranha, Boleiros… só para citar alguns). Que além de ter me dado a oportunidade me apresentou o Alexandre Henrique, meu braço direito até hoje. O Bellini foi a minha maior escola, Fazia um ano que eu tinha voltado de Cuba. Aprendi a Expor com segurança absoluta, mas nunca tinha feito uma lista de equipamentos para um longa, ainda mais sabendo que não ia ter muito tempo para verificar as locações. As poucas visitar que fizemos foi para definí-las não para estudar planos e iluminação.
A principal coisa que aprendi nesse filme foi a abrir mão. Não é fácil você ter que abrir mão de fazer a melhor fotografia num plano para ganhar tempo em outro que seja mais importante para a história ou que você ache mais relevante para a fotografia do filme. Por diversas vezes nesse filme tive que simplificar o máximo possível para ganhar tempo no plano seguinte seja para cumprir a ordem do dia ou para ter mais tempo no próximo plano que a meu ver seria mais importante para o filme. Uma vez eu li, que a fotografia é o conjunto, não adianta vc tentar fazer todos os planos magníficos e não cumprir o programado, cada diária de produção sai muito caro e os atrasos inviabilizam o filme. Muitas vezes vc vai ter o ator só naquele dia ou como foi o caso do Fábio, ele tinha de fazer a barba e cortar o cabelo pois ia começar o Primo Basílio, então tínhamos um “Dead Line” que não dava para ser esticado, pelo menos não com o Fábio Assunção em cena.
No Bellini pensei em fazer a Luz bem recortada, para dar mais dramaticidade as cenas e como queríamos desconstruir o Fábio eu não tinha a preocupação de deixá-lo bonitinho. Como o filme era basicamente noturno tive sempre muito controle da Luz o que facilitou minha vida por se tratar de um longa feito em vídeo. Nas poucas cenas que tive de dia dei sorte de principiante e o sol teimou em não aparecer ou apareceu tão fraquinho que não agravou meu problema de latitude. As cenas da estação Júlio Prestes por exemplo não teriam saído tão bonitas se o sol tivesse aparecido.
Optamos pela câmera na mão para deixar o filme mais documental e também somo recurso para descolar os elementos, pois uma vez que a camera se movimenta mantendo o personagem em quadro o movimento do fundo por menor que seja acaba descolando os planos.
Também optei por usar o diafragma todo aberto para poder me aproveitar o máximo possível da profundidade de campo evitar que a imagem ficasse com muita cara de vídeo. Apesar da câmera na mão tentamos usar trilho e grua (mas com a câmera solta na mão do assistente) mas ficaram muito novela e acabamos não aproveitando e até mesmo desistindo de usar ao longa das gravações.
O Equipamento usado foi uma Sony F900 com uma zoom Canon 7.5~158mm (1.9T em 7.5~116mm e 2.6T em 158mm)
Nesse trabalho fiz o possível para tentar colocar tudo dentro da latitude da câmera. Bandeirei tudo que eu pude nas externas dia e fiz toda a luz dentro do que a câmera me permitia. Constantemente checava o wave format para garantir que eu tinha toda a informação ali numa qualidade boa para a pós. Por isso fiquei muito chateado quando não fui avisado da correção de cor, fiz uma captação correntíssima com um bom contraste e sem clipar nem enterrar nada e na hora de dar vida as imagens que concebi fiquei de fora. Mas já soube que isso é bem comum de acontecer, e não posso negar que esse filme foi uma grande escola.
Luz se eu não esqueci de nada, foi:
1 HMI fresnel de 4k
1 HMI fresnel de 6k
2 HMI fresnel de 575
1 poket Hmi 125 com kimera (deu um jeitão em vária cenas.
2 fresneis de 2k Tung
2 fresneis de 1k Tung
6 fresneis de 300 Tung
4 fresneis de 650 Tung
6 Kinos de 10 Lâmpadas
2 Kinos de 4 lâmpadas
2 kits dedo light de 150w
2 butterflies de 6×6
2 butterflies de 4×4
O resto dos acessórios eu não vou me lembrar.
A lista acima não é precisa mais foi mais ou menos isso que eu usei.
Minha dica para quem vai enfrentar o primeiro longa é: Exija um chefe de elétrica experiente. Se você sabe o que quer e sabe se expressar, ele consegue te dar várias opções para realizar aquilo que você está imaginando. Ai é só ter bom senso.
Filme: Bellini e o Demônio
Festivais: LABFF (prêmio de melhor ator aara o Fábio Assunção) | Fantas Porto | Festival do Rio (Premier Brasil)
Produção: Santa Fé, Guela, Gatacine
Distribuição: Imagem Filmes
Produção Executiva Teodoro Fontes
Direção de Cena: Marcelo Galvão
Direção de Fotografia: Rodrigo Tavares
Assistência de Câmera: Eduardo Makino
Gaffer: Alexandre Henrique