“Colegas” é um road movie, que conta a história de três garotos com síndrome de Down que fogem do instituto em busca de seus sonhos:
Stalone quer ver o mar, Aninha quer casar, e Marcio quer voar.
Esse roteiro é bem para cima, não explora o lado triste da Síndrome de Down e sim a personalidade alegre e divertida desses seres incríveis.
Não tem como não se apaixonar pelos personagens e pelos seus interpretes Ariel, Ritinha e Breno.
Desde o iníncio eu sabia que para o “Colegas” eu iria usar a palheta de cores pasteis e a amplitude dos quadros do Edward Hopper.
Na minha pesquisa encontrei “Toy Story” os tons pasteis estavam lá, mas com bem menos contraste e recortes.
Num primeiro momento não achei que a aminação da Pixar iria se tornar minha meta. Mas ao ver a cara dos três no primeiro copião, não tive dúvidas, estou fazendo um desenho animado.
Sempre tivemos a preocupação de deixar o filme leve, e trabalhar com os contrastes suaves dos filmes da Pixar ajudam nisso. Levando em conta que existe uma perseguição poilicial e as cenas dos assaltos que eles praticam com se fossem brincadeiras de criança achei essa a abordagem mais adequada para atigir nossos objetivos, afinal é um filme com portadores da Sindrome de Down e queremos que o espectador se esqueça completamente disso e se foque apenas na alegria que eles tem de viver.
Acho importante conceituar a fotografia, você cria um guia, deixa o longa com mais unidade e personalidade. E evita de fazer um amontodado de cenas bonitas mas sem unidade.
A Estória tem que ser sempre o mais importate, tudo que você fizer num loga deve ser para valorizar a estória e os personagens.
Outro ponto conceitual importante que tratamos, foi dividir o filme em dois. A vida no Instituto e a descoberta do Mundo exterior.
Para isso decidimos fazer o instituto com a câmera travada no tripé, tentando contar a cena sem movimento algum. Ter assistido ao filme “Songs from the second Floor” do sueco Roy Andersson, nos deu mais convicção do conceito.
E quando eles saem pela porta do instituto acontece o primeiro movimento de camera, sem com lentes bem agulares e com o quadro bem aberto, para enfatizar a grandeza do que eles estão sentindo.
Decidi por enquadrar muito céu nesse filme, mesmo nas cenas de câmera-car tenho lentes muito abertas e deixo muito céu em quadro. Nosso mundo é muito amplo comparado ao mundo que eles viviam.
Como nossa pretensão era desde início termos estes planos muito abertos e grandiosos, nem cogitamos fazer esse projeto em uma plataforma digital.
Os quadros são tão amplos que fora os filtros, não consigo ter o menor controle. A princípio queríamos fazê-lo com a “Penélope” usando 2 perfurações para economizar negativo e aproveitar a janela 2.40, mas não coube no orçamento e acabamos decidindo por fazer o filme em 16mm.
Durante os testes de negativo e de lentes na Casablanca, vimos que o 16mm não entregava uma definição muito boa nas angulares, principalmente nos tipos de planos que estávamos querendo filmar. Então aceitamos uma sugestão do José Augusto de Basili, e tentamos negociar com a Central de Locações, uma Arri 3 para os planos gerais. Como ela é muito barulhenta, acaba tendo pouca saida, o que ajuda na negociação.
Assim nossa configuração de camera ficou:
Uma Arri 3 para os planos gerais. Lentes 2.1T 16mm, 20mm, 24mm, 28mm, 32mm, 40mm, 50mm, 85mm e 100mm
e uma Arri SR3 para os planos médios e closes. Lentes 1.3T 5.5mm, 8.5mm, 9.5mm, 12mm, 16mm, 25mm, 35mm, 50mm e uma Zoom 11/165mm 2.5T
16 mm (Fuji Eterna 250D 8663, Eterna 500T 8673) / 35 mm (Fuji Eterna 250D 8563, Eterna 500T 8573)
E só para não perder o costume um Canon 7D para as imagens que vão ser aplicadas dentro dos Televisores (Assim economizamos negativo). Lente Zoom 2.8T 17/55mm.
Janela: 1.78:1
Título: “Colegas”
Produção: Gatacine
Produção Executiva: Marçal Souza e Marcelo Galvão
Direção: Marcelo Galvão
Direção de Fotografia: Rodrigo Tavares
Assistentes de Camera: Heron e Makino
Gaffer: Alexandre Henrique
http://pro.imdb.com/title/tt1179259/
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