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Definição de Direção de Fotografia segundo a ASC (American Cinematographer)

A Direção de Fotografia é o processo criativo e interpretativo que culmina na autoria de um trabalho artístico original e não meramente no registro de um evento físico
A Cinematografia não é uma categoria da Fotografia.
E sim Fotografia, é uma ferramenta que o Diretor de Fotografia usa ao lado de outras técnicas físicas, administrativas, interpretativas e de manipulação de imagem para ter um resultado coeso, com o fim máximo de ilustrar da melhor maneira uma narrativa.
A responsabilidade do Diretor de Fotografia para com as imagens no Cinema, estendem-se desde a concepção e pré-produção, pós-produção e até a primeira exibição comercial do filme.
Também é de sua direta responsabilidade qualquer processo posterior que possa afetar essas imagens.
As imagens que o Diretor de Fotografia leva para as telas são fruto de um trabalho colaborativo, da soma da visão artística, imaginação e habilidade técnica de diversos profissionais.

Bom, tentei traduzir com o máximo de fidelidade o texto do John Hora, ASC para a American Cinematographer.

Resolvi tentar traduzir esse texto pois acho a definição da ASC super correta e alguns Diretores de Fotografia e a maioria dos produtores aqui no Brasil não tem a noção de que o diretor de fotografia é mais que um técnico é sim um colaborador artístico e um guardião da imagem.

Responsabilidades do Diretor de Fotografia:

I Pré-Produção

A. Pesquisa de consepção
-Discutir com o Diretor todos os aspectos do roteiro e qual a visão dele em relação a como transpor o roteiro para a tela.
-Analisar o roteiro com um todo.
-Analisar a estrutura da história.
-Analisar os personagens.
-Pesquisar o período, os eventos, e outros elementos de design que ajudem na composição do clima.
-Elabore o estilo, como vai ser a abordagem visual do filme.
-Continue falando com o Diretor sobre novas idéias
-Discuta e chegue em um consenso com o diretor sobre o visual do filme.
-Discuta e chegue a um entendimento com o diretor de arte sobre o visual do filme.
-Discuta e pesquise com consultores técnicos sobre as dificuldade que você poderá ter para chegar no resultado que está imaginando.

B. Pesquisa Prática
-Verificar o orçamento, e se os valores dos equipamentos e a equipe que você pretende usar estão dentro da realidade do filme.
-Visitar e aprovar as locações
-Marcar a posição do sol para cada locação
-Verificar a previsão do tempo para cada locação
-Verificar as marés se for o caso.
-Participar na aprovação do plano de filmagem.
-Participar e discutir sobre a construção dos cenários.
-Verificar e aprovar, objetos de cena, veículos de cena, mock-ups e miniaturas se for o caso.

C. Pesquisa técnica
-Visitar laboratórios e casas de finalização para calibrar e avaliar o sistema de exposição e qualquer combinação de imagem eletrônica ou química a ser capturada, estabelecendo um protocolo ou “workflow” para a intermediação das imagens.-Visitar locadoras de equipamento.
-Explorar novos equipamentos.
-Aprender como os novos equipamentos funcionam.
-Invente ou encomende a invenção de um novo equipamento caso haja necessidade.
-Padronize e crie uma lista de efeitos para mostrar ao diretor e equipe.
-Ajude a criar e aprove o Storyboard.
-Projete ou peça para alguém projetar as luzes práticas que vão ser usadas nos cenários.
-Desenhe um plano de luz e de maquinaria junto com o Gaffer ou o Eletricista Chefe e o Maquinista.

D. Controle de qualidade
-Escolher e aprovar a equipe, o filme, e o equipamento a ser utilizado, a segunda unidade e a equipe de efeitos especiais se for o caso.
-Supervisionar a construção e os testes de novos equipamentos a serem utilizados.
-Visitar a construção dos sets.
-Aprovar as paredes, tetos e qualquer parte móvel do cenário.
-Checar a equipe que vai instalar as luzes práticas.
-Visitar as locações em conjunto com todos os departamentos para discutir as necessidades em conjunto.
-Aprovar as cores e texturas dos cenários.
-Aprovar a Maquiagem e Penteados.
-Fazer e aprovar as listas de equipamentos de Luz, maquinaria e câmera.
-Checar o local onde vai ser ser exibido as diárias para garantir a padronização do material rodado.

E. Implementação
-Stand-ins do Elenco
-Treinar equipe para o uso de algum equipamento novo.
-Verificar os cenários e as locações junto com o Diretor e revisar o plano de filmagem.
-Fazer a lista com os equipamentos especiais para o diretor de produção, indicando os dias em que o equipamento vai ser necessário.
-Trabalhar na “ordem do dia” (cronograma de filmagem) com o assistente de direção.
-Estimar e fazer o pedido dos rolos de filme (Tipo, Tamanho, e quantidade)
-Listar a quantidade de ajudantes para os dias de filmagem.
-Ajudar os outros departamentos a conseguir os equipamentos requeridos, ajudantes e testes.
-Fale com todos os departamentos pelo menos duas vezes por dia para responder a qualquer dúvida.
-Intermediar qualquer problema entre os departamentos.
-Checar o carregamento dos equipamentos a serem transportados para a locação, seja via caminhão, barco ou avião.
-Visitar os ensaios do elenco.
-Manter o Diretor informado sobre qualquer problema.
-Ajudar ao Produtor a resolver qualquer problema de produção.

F. Testes
-Rodar testes de estilo.
-Rodar testes para o laboratório.
-Rodar testes de luz para os atores principais.
-Rodar testes para câmera e lentes.
-Rodar testes para figurino e maquiagem.
-Rodar testes para qualquer efeito especial a ser utilizado assim com para algum movimento novo ou nova técnica.

II. Filmagem

A. Planejamento
-Checar e aprovar qualquer relatório ou ordem do dia a ser trabalhada.

B. Bloqueio
-Assistir aos ensaios da cena a ser rodada
-Rever com o Diretor a lista do que vai ser rodado
-Escolher a lente e a composição e mostrar para o Diretor para aprovação.
-Certificar-se de que a composição e o movimento estão funcionando para a cena.
-Resolver qualquer problema mecânico com o operador de câmera ou maquinista.
-Fazer as marcações de câmera e de movimento.
-Posicionar os Stand-ins para afinar as marcações de foco, movimento, enquadramento e posicionamento dos microfones.
-Assegurar que se tenha tempo de cena o suficiente para o Editor.
-Ajudar o assistente de direção com a movimentação dos figurantes.

C. Iluminação
-Iluminar o set ou a locação de maneira a ser mais vantajosa para a história a ser filmada. Seja do ponto de vista de estilo ou de dramaticidade.
-Iluminar cada ator de maneira a reforçar e revelar seu personagem.
-Certificar se o clima e o tom da luz ajudam a contar a história.
-Planejar a luz para ter o mínimo de intervalo entre as cenas.
-Utilizar um pintor em stand-by para controlar highlights, sombras, envelhecimentos nos sets e nos objetos de cena.
-Acertar a iluminação, contraste e a exposição da cena.
-Acertar os efeitos de luz como dimmers, spots, mudanças de cor etc.

D. Preparação
-Resolver qualquer problema de som
-Resolver qualquer problema com os outros departamentos
-Checar o set e aprovar todas as acrobacias com o coordenador de dubles se tiver.
-Acertar qualquer câmera adicional que se necessite para as cenas de dubles.
-Checar e re-checar medidas de segurança.
-Mostrar a cena para o Diretor para fazer as alterações finais.
-Posicionar os atores para o ensaio mecânico final, resolver qualquer problema fora do previsto.

E. Fotografia
-Fotografar a cena
-Aprovar ou corrigir o take.
-Verificar se a equipe do making of conseguiu o que precisam.
-Verificar com o continuísta se não tem nenhuma observação específica sobre a luz ou posicionamento de câmera para a cena.
-Verificar o inventário de latas virgens.
-Tentar usar as pontas dos negativos.
-Verificar se o relatório de câmera tem sido preenchido corretamente.
-Completar o trabalho do dia.
-Discutir com sua equipe o primeira set do dia seguinte.
-Assegurar que suas equipes de câmera, elétrica e maquinaria recebem cópias dos recibos dos equipamentos e aprovem antes da produção efetuar os pagamentos.
-Tomar cuidado com problemas de produção que possam aparecer.
-Responder a qualquer questão sobre problemas futuros.
-Visitar o Produtor e o diretor de produção no final do dia.
-Verificar a devolução de qualquer equipamento que não for ser utilizado.

G. Controle de Qualidade
-Pedir o relatório do laboratório.
-Ver a projeção da diária anterior junto com o Diretor, produtor, editor e equipe de câmera.
-Discutir e aprovar as “diárias”.
-Consultar com a equipe de maquiagem, figurino e direção de arte sobre as “diárias”.
-Ver, discutir, corrigir ou aprovar a segunda unidade e a equipe de efeitos se for o caso.
-Peça para refazer a cópia de porojeção da “diária” se for necessário.

H. Treinamento
-Ensinar aos atores iniciantes as técnicas de filmagem (marcações, tamanho do quadro, lentes, etc.).
-Aprimorar a equipe de câmera.

I. Contingência
-Se o Diretor for impedido de continuar a diária, termine o trabalho do dia por ele.

III Pós-Produção

A. Fotografia Adicional
-Discutir e tomar conhecimento das datas de entrega de material de toda a produção.
-Fotografe ou aprove qualquer cena adicional, inserts, efeitos especiais ou material feitos pela segunda unidade.

B. Cor e Densidade
-Verificar cor e densidade e aprovar o trailer para os cinemas e TV.
-Aprovar efeitos óticos e composições digitais.
-Corrigir Cor e Densidade.
-Refazer a correção de Cor e Densidade até resolver todos os problemas.

C. Controle de Qualidade
-Aprovar a cópia final.
-Mostrar ao diretor para sua aprovação.
-Aprovar os interpositivos.
-Aprovar os internegativos.
-Aprovar as cópias de exibição.
-Aprovar as cópias do negativo original.
-Aprovar todas as ampliações e reduções.

D. Telecine e Correção de Cor
-Supervisionar e aprovar o filme ou o transfer digital original para a midia eletrônica (Hi-Def, NTSC, PAL, Secam Masters, Digital Intermediates, Masters de arquivo etc)
-Supervisionar e aprovar todos os transfers de e para Intermediação Digital.
-Supervisionar e aprovar todos os formatos de janela do filme (letterbox, pan and scan, ou re-enquadramento do filme)
-Supervisionar e aprovar a correção de cor Tape-to-Tape e a adaptação da correção de cor para DVD, Blue ray, projeção digital etc.
-Mostrar o transfer eletrônico para o Diretor para aprovação.

E. Publicidade
-Estar disponível para fazer publicidade do filme.

F. Restauro/Arquivo
-Estar a disposição para qualquer futura reutilização, cópia de aquivo ou transfer eletrônico do filme.

Desculpem a tradução, mas achei importante expor como a American Cinematographer Society vê o nosso papel dentro de um filme.
Lembrando que isso para eles é uma indústria e não um exercício artístico.

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O que é cinema digital?

Estou copiando na Integra o e-mail do Carlos Ebert, ABC, enviou para o Guga Millet pela lista da ABC. Eu não tinha esse conhecimento, a edição que eu tenho do manual da Americam Cinematographer ainda não tinha esse dado. Alias, queria aconselhar quem trabalha ou estuda cinema deveria se filiar na ABC para fazer parte da lista de discução. Lá contamos com mestres como o Ebert, que entende de tudo e mais um pouco em se tratando de fotografia, e nunca se abstem de responder a uma questão.

Menos que 2K = HD
Mais que 2K = Cinema digital
Quem homologou definitivamente essa classificação foi a DCI com as suas especificações que além de resolução envolvem espaço de cor, codec (JPEG 2000), criptografia, audio etc. No site da DCI tem as especificaçõews do Digital Cinema em .pdf. http://www.dcimovies.com/

SD= 720 pixels de largura
HD= 1920 pixels de largura
2K= 2048 pixels de largura
4K= 4096 pixels de largura

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Chroma

Recebi do Calos Vecchi da O2 um documento com a receita de como fotografar croma com a RED One segundo a O2, e ele me autorizou colocá-la aqui no Blog:

Padrão O2 filmes de chroma e tracking para câmeras RED.
• Pintar os fundos com Sulvinil (verde L-055) (azul Y-077)
• Câmera RED sempre atualizadas com o último build.
• A fotometragem deve ser feita a partir da câmera e não só com fotômetros. Uma dica é usar o (false color) para spot do fundo.
• O IRE – que mede a intensidade da luz do “fundo” deve estar medindo entre 55 e 65 IRE.
• Os Fotógrafos e assistentes de câmera deverão seguir esta regra.
• Para os pontos de tracking teremos dois tipos: 2D e 3D.
• Os pontos de traking serão feitos com fitas pintadas da mesma cor do fundo com 1/2 stop de diferênça para cima ou para baixo:
1/2 stop para baixo = 1 parte de preto para 70 partes de verde.
1/2 stop para cima = 1 parte de branco para 4 partes de verde.
• O desenho e a colocação desses pontos de tracking serão sempre com orientação da pós produção.
• Em planos com muita movimentação de câmera deve ser filmado com obturador no mínimo 1/100 para amenizar o motion blur tanto do recorte como dos pontos de traking.
• Os testes foram feitos usando luz tungstênio, a câmera e o Scratch com REDspace. Com fundo verde Sulvinil – L 055

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Lista de livros

Está é a lista de livros que Rodolfo Denevi ( professor na EICTV de Cuba) me passou quando cursei com ele o “taller de cinematografia avanzada” em 2005.
“Hands-on” Manual for Cinematographers” – David Samuelson (bem mais simples de pesquisar do que o “American Cinematographer”
“The Camera Assistant, a complete professional Handbook” - Douglas C. Hart (Tem uma passagem que achei muito interessante: “quando não te disserem aonde vai o foco, foque o maior cachê”)
“Motion Picture and Video Lighting” – Blain Brown (Um livro ótimo para quem está começando, sem contar que tem um capítulo super didático sobre exposição por zona. E o manual da “American Cinematographer”, aprendi a fazer croma lendo ele. Não tem erro.

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